sábado, 7 de maio de 2011

O que os Finlandeses precisam de saber acerca de Portugal


Acredito que alguns energumenos que por acaso são Finlandeses, não podem falar por toda a população. Nós também temos entre nós alguns individuos que não primam pela inteligência nem pelo humanismo.

Acredito também que os Finlandeses têm razão quando defendem os seus valores nacionais, os seus herois, as suas conquistas.

Este video mostra bem o quanto somos ignorantes acerca da nossa cultura e história, o quão fácil é esquecer os nossos herois que são muitas vezes recordados pelos estrangeiros mais facilmente do que por nós.



Portugal lamenta-se demasiado, chora demasiado, relaxa demasiado. Não fazemos tudo quanto é possivel dentro das nossas casas, deixamos o país entregue a politicos sem controlo, esperando ingénuamente que estes sejam sérios, e invariavelmente pagamos as crises que nós próprios permitimos que aconteçam.

Nunca deixámos de estar em pé de igualdade com os restantes países, sempre fomos seus contemporâneos. Mas não estamos habituados a lidar com dificuldades a sério, não sabemos o que é ter guerra dentro de fronteiras à séculos, e confiamos demasiado em N.S. de Fátima para nos resolver os problemas.

Deus disse "põe a mão que eu te ajudarei". Está na hora de percebermos o significado dessas palavras.



Como à 70 anos atrás, se a Finlandia precisasse novamente de auxilio, os Portugueses fariam o que lhes fosse possível, tal como fizeram por Timor Leste, pressionado a Europa e o resto do Mundo para agirem em defesa de um povo massacrado, ou quando nos foi solicitado auxilio à Grécia e à Irlanda apesar da nossa já dificil situação financeira.

Nas horas dificeis Portugal não tem virado as costas a quem precisa, e em 1940 muita fome existia também por cá. Podiamos ter pensado mais nas nossas barrigas, mas fizemos o que pudemos para não deixar morrer de fome e frio aqueles que não falavam a nossa lingua, estavam longe dos olhares, mas que tinham sangue nas veias como nós, corações pulsantes de um orgulho nacional que os levou a lutar contra um invasor numa batalha entre David e Golias.

Portugal não vira as costas à sua missão de solidariedade para com os mais desafortunados, e se um dia vier em que a Finlandia precise novamente de ajuda, estou certo que Portugal não negará apoio ao povo Finlandês. Porque é assim que somos, mal governados, anarcas até aos ossos, laxistas sempre que podemos, mas solidários com os que precisam.

É interessante ver como é mais fácil dar para quem tem pouco do que para quem tem quase tudo. De alguma forma arranjaremos maneira de ultrapassar as dificuldades. Um país com 900 anos de história já tem na sua bagagem muita miséria e sofrimento, este é apenas mais um episódio.

Sejamos então pobres mas felizes, agradecidos pelo que temos, e mesmo que não tenhamos o suficiente para ir para a cama de barriga confortada, haja a capacidade de partilhar o pouco que temos com quem nada tem, para que de manhã ainda sejam dois a amanhecer vivos. Mais faz quem quer do que quem pode.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O mafarrico morreu?

Por partes, vou tentar dar a conhecer a minha opinião sobre o tema quente dos assuntos militares internacionais (até pareço o Nuno Rogeiro... quase, mas sem o corte de cabelo frufru).

Vejo muita gente a censurar os americanos por comemorarem a morte deste artista. Falar é fácil, gostaria de ver se tivessem familiares mortos no atentado das torres, como reagiriam. É humano querer vingança. Nós admitimos isso aos judeus que sofreram nos campos nazis, mas queremos negar esse sentimento aos americanos. Cada cabeça sua sentença, mas não me parece coerente.

É evidente que dá jeito ao Obama que isto tenha ocorrido agora. Mas de qualquer modo, porque não? Se é constituido um dispositivo militar daquela dimensão, com os custos que acarreta em dinheiro e vidas humanas, não é seguramente para fazerem o maior piquenique de sempre e figurar no Guiness. Há que abater o cão (os árabes tendem a chamar cão a gentes de quem não gostam lá muito).

Segundo ouvi na rádio, em comunicado oficial, Obama terá dado instruções para que o mafarrico fosse capturado vivo. Tal é lógico, e seria decerto a melhor solução, mas quem é que no seu perfeito juizo espera que o Bin Laden, sobretudo após o que aconteceu ao Sadam, diga com ar de espanto "oh bolas, lá me apanharam. Sr. soldado do Tiozinho Sam, não aperte muito as algemas que eu sofro de má circulação, tá quiduxo?"

Tá claro que o bicho ao sentir-se encurralado ia lutar. Agora coloquem-se na pele de um dos soldados. Iam fazer o quê? Avançar de peito aberto para as balas numa de ver se o gajo gasta as munições todas e depois domina-se a besta a estalo? Ganhem juizo. Se fosse eu a estar lá enfiava-lhe um balázio no cu assim que tivesse chance. Olha o meu...

O resultado foi que pelo que dizem as más linguas, lá mataram o barbas e neste casos fala-se sempre do perigo de o terem tornado num mártir. E depois? Aqueles gajos quando querem mártires enchem um tipo qualquer de bombinhas de carnaval e mandam-no para uma estação de metro para se explodir levar o máximo de infieis com ele... bardamerda, para o matarem depois do julgamento mais vale logo na altura. Acaba-se com o sarampo e pronto.

É certo ou errado? Epá, não sei, não quero saber. Sobretudo desejo nunca estar eu na posição de ter de decidir sobre a vida ou morte de alguém. Ache eu o que achar, tenha qual opinião tiver, manifeste-a ou não, quando é para ir para a guerra, os americanos fazem o que bem entendem e o mundo assiste, protestando ou não. Como o resultado é o mesmo, abstenho-me de emitir um juizo de valor sobre o sucedido. No entanto, para gente que practica actos assim, não consigo imaginar que o mundo seja hoje um lugar pior após a morte daquele energúmeno. Tenho dito!

domingo, 10 de abril de 2011

Homenagem às minhas gentes

Ouvir aqui

Um dos exemplos sublimes da musica portuguesa. Não se critique o jovem por não entender muito do significado do que é ser português, dê-se-lhe tempo. Um dia saberá no seu coração o valor da terra que o viu nascer, das gentes que o acolheram, dos amores que lá viveu.

Portugal antigo sussura a sua fibra nesta música. Temos uma origem, uma tradição, uma identidade. Uma história de gente lutadora, oprimida por ditadores antigos e modernos, mas cujo coração, arte e engenho voam livres para lá das correntes que nos amarram à pobreza fisica.

Ergue-te Portugal, renova a esperança, enche-te de orgulho e reclama o teu lugar no mundo. Não tenhas vergonha de quem és. Assume os teus erros e pecados, honra a tua dívida e ergue a cabeça bem alto. O Sol que te ilumina, a chuva que te molha a terra, são a herança que recebemos dos nossos antepassados.

Onde quer que um português ponha os pés está um bocadinho de Portugal. Esta maneira anarca de fazer as coisas, de desenrascar tudo com quase nada, de explorar sempre novos caminhos, esta gente que desata ao estalo entre si mas que se ama profundamente e é capaz de actos de solidariedade emocionantes sempre que a desgraça bate à porta de algum... afirmo bem alto, tenho orgulho em ser Português, apesar da vergonha que os nossos líderes nos fazem passar perante os nossos vizinhos.

Portugal não são apenas os políticos e os banqueiros, correctores de bolsa e especuladores. Esse é o nosso esgoto, como os outros países também terão cada um o seu. Portugal é o Zé da rua, o pescador, o hortelão, o trabalhador fabril, gente que ri a chorar, gente que tem a enorme pressão de colocar pão na mesa para matar a fome da sua família. Gente que não sabe o dia de amanhã, que muitas vezes arrisca tudo a troco de quase nada. Não é este o Portugal que eu desejo, mas é este o Portugal que mostra o sangue que tem nas veias, a raça Lusa que nos faz ser quem somos e sentir como sentimos.

Obrigado Portugal.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Eles comem tudo - Episódio 4

O descontentamento e a confusão que se sente para as próximas eleições mostram que os portugueses sabem que as soluções que lhes apresentam são não-soluções. Esta será a 3ª vez que teremos o FMI dentro de portas em menos de 40 anos. Quando vamos colocar termo a este ciclo vicioso?

Viver acima das nossas possibilidades acarreta custos incomportáveis. Uma máquina de Estado doente de obesidade mórbida, salários chorudos e tratos principescos para quem nada produz, prémios milionários para quem arruina empresas, acumulação de reformas quando ainda não atingiram a idade nem descontaram anos suficientes, deputados que nada fazem e os seus ajudantes, ministérios que ocultam a sua inépcia numa névoa política dizendo sempre que estão a acompanhar tudo com muito interesse (provavelmente pelos jornais) e a fazer tudo o que podem para resolver a situação (velinhas e rezas a S. Expedito, presumo), bancos que cobram horrores e pagam menos impostos do que qualquer outro tipo de entidade neste país, entre muitos outros exemplos. É um triste rol que se nos apresenta, com uma factura altissima e a perspectiva de nada mudar para melhor.

Manteremos estes vampiros a sugar-nos o sangue enquanto não decidirmos arrear-lhes com o mata-moscas em cima. Temos de nos tornar produtivos novamente, competir com as mesmas armas que os outros povos usam quando colocam cá os seus produtos mais baratos do que os nossos, e com salários bem superiores, o que mostra que é possível. Não é megalomania quando estamos a falar de coisas que são reais. Ainda por cima nem temos de desbravar caminho, basta-nos ver como os outros fizeram e copiar. Já temos a palavra Descobrimentos inscrita na história do nosso País, não precisamos de continuar a inventar.

Há anos que nos endividamos cada vez mais, com o intuito de continuar a pagar dívidas. Onde estão as soluções geradoras de riqueza? Elas existem, há países que as possuem. O problema do nosso Portugal não é apenas a corrupção. Existe corrupção em qualquer país no mundo. E nem todos estão com tantos problemas nem carregam na campaínha do FMI como putos a brincar ao toca e foge.
Os velhos, que em duas décadas aprendemos a despezar, primeiro chamando-lhes botas de elástico, depois xéxés e mais tarde coisas que não vou mencionar por pudor, foram silenciados por supostos exemplos de sucesso por parte dos meninos que tinham estudado nas faculdades, os senhores doutores deste país. Arrogámo-nos a desbaratar a sabedoria dos que já sabiam alguma coisa desta vida, exibindo desdém e vergonha daqueles que passaram necessidades, muitos fome, mas que nos deram a vida e nos custearam os estudos, dando-nos canudos com os quais lhes batemos mais tarde nas cabeças ralas de cabelo, como se fossem martelinhos de carnaval, acompanhados por um sorriso condescendente e arranjando formas airosas e eruditas de lhes chamar estúpidos. Nós fingiamos que eles não percebiam, e eles faziam o mesmo.

Existe muita técnica moderna para problemas antigos, e com isso teremos sempre a aprender uns com os outros. Mas os antigos têm razão quando afirmam que um país que não produz o seu próprio alimento e não gera a sua riqueza fica nas mãos dos outros. Muitos questionaram os propósitos das políticas europeias, os motivos para nos pagarem para abandonar a frota pesqueira, porque havia subsidios para plantar num ano e arrancar as plantações no ano seguinte. Mas calámo-nos quando o dinheiro entrou, quando os estudos agricolas em Portugal permitiram o desenvolvimento de uma espécie de tomateiro que dava Jipes e videiras em que ao invés de uvas nasciam lindas moradias algarvias. Barcos que foram convertidos em lenha para o Inverno, tristes lembranças dos herois de outrora que arriscavam muitas vees mais do que deviam para trazer para terra o peixe que dávamos aos nossos filhos. Numa geração de “papa-hamburguers do MacDonald’s” para que queremos nós o peixe? Não precisamos de pescadores, mas de lenha... isso dá jeito. Pimba, solução alka-seltzer. Duas pastilhas num copo de água, é rápido e cura a azia.

Os nossos políticos, que estranhamente, ao aproximarem-se de Bruxelas ficam temporáriamente transformados em eunucos, venderam a nossa dignidade, a nossa honra, o nosso orgulho, o nosso presente e hipotecaram o nosso futuro. Tudo isto enquanto nós assistiamos a este desfilar de polítiquices, sem nunca acreditar que poderiamos enquanto sociedade ter alanvacagem suficiente para alterar o rumo das coisas, mantendo o país nos eixos. Preferimos ficar a observar, fascinados, a este fenómeno de uma espécie rara de políticos, cujos estículos variam em proporção inversa relativamente à proximidade a Bruxelas.

Cá são machos o suficiente para mandar a polícia e a GNR aviar na malta, lá são uns cordeirinhos que tudo fazem para não incomodar os designios dos poderosos europeus. São estes os patrões que nós servimos, num negócio estupido em que fazemos uma vaquinha nacional para pagar os seus salários. Um ministro é investido para servir o país, cada português pode e deve sentir-se um pouco como seu patrão, já que paga uma pequena fracção do seu salário. Estes funcionários que nos custam bem caro e não produzem nada, ainda nos roubam o pouco que há em caixa. Quando são apanhados com a mão na massa  e questionados sobre a origem do dinheiro, ainda sorriem enquanto nos dizem nas barbas que são gorjetas que os clientes lhes deram. 

Quando é que despedimos estes maus empregados por justa causa? Os motivos já os temos, só falta querer.